Reprodução - Agressões ocorreram no dia 15 e ganharam repercussão ontem

O relato do médico plantonista André Murad  sobre uma agressão sofrida por ele na UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) do Conjunto Habitacional Ana Jacinta, em Presidente Prudente, ganhou repercussão ontem nas redes sociais, e não poderia ser diferente. Isso porque, após esperar alguns dias para ver se algo mudaria no que diz respeito à segurança dos profissionais nas unidades de saúde, o que, segundo ele, não ocorreu, o médico resolveu compartilhar na internet as agressões físicas e verbais, que um paciente “visivelmente bêbado” teria cometido contra ele no dia 15 deste mês. As sensações de vulnerabilidade e descaso relatadas por ele reforçam uma teoria que não é novidade para a população brasileira, mas que, infelizmente, está bem mais perto do que se imagina: os valores estão invertidos e os profissionais da saúde precisam de suporte. 
“Além da revolta de você estar tentando fazer um trabalho e não conseguir por causa da violência, a sensação é de estar sendo negligenciado. Mas a minha preocupação vai além da minha integridade, pois, se um paciente que está sob meus cuidados vai a óbito enquanto estou sendo agredido, eu serei responsabilizado pelo que ocorrer na minha ausência”, relatou o profissional.


Início da agressão


De acordo com o relato do médico para O Imparcial, no dia 15 deste mês ele foi novamente agredido durante o desempenho da sua função. Isso porque, segundo André, em um ato “covarde, sem escrúpulos e hediondo”, um homem que se dirigiu à unidade, relatando embriaguez e mal estar, ao adentrar a sala de observação, apresentou comportamento agressivo com todos que estavam no local e iniciou uma série de ataques com “palavras de baixo calão, aos gritos, e em tom ameaçador”. “Me impossibilitando, assim, de prestar os atendimentos. Devido ao comportamento violento deste criminoso, me dirigi a ele, solicitando que respeitasse o ambiente em que se encontrava, e foi quando, de maneira covarde, fui estrangulado pelo pescoço”.
A partir do ocorrido, o médico lembrou que “há tempos” todas as equipes têm feito solicitações para garantir a integridade dos profissionais, junto aos diretores do Ciop (Consórcio Intermunicipal do Oeste Paulista), e à Secretaria Municipal de Saúde, mas que, segundo ele, sem sucesso até o momento, o que o motivou a levar ao público a agressão. 


Cenário precário


Segundo André, a situação é “precária e o clima é de insegurança” por parte dos trabalhadores, em especial daqueles que trabalham em uma UPA em Presidente Prudente. Ele traz no relato ainda o fato de que os profissionais lidam com casos de saúde extremamente graves diariamente e que, como se não fosse suficiente a carga de responsabilidades e estresse emocional inerentes ao trabalho que realizam, ainda é preciso se deparar com “constantes casos de violência que têm sido sistematicamente tratados com total descaso e irresponsabilidade das autoridades que deveriam, por lei, e direito, garantir a integridade física e mental de quem realiza um trabalho tão vital para toda a população”.

"Demora no atendimento policial"


Por fim, o médico ressaltou que, por sorte, conseguiu se livrar do paciente em questão, solicitando ajuda policial às 17h32, o que causou “espanto e indignação dele”, já que em uma situação como essa, em que toda a unidade de saúde teve que interromper as suas atividades, a presença de uma equipe de polícia só teria sido registrada no local às 18h45. “Uma hora e 13 minutos depois. Este foi o tempo em que de maneira sórdida fui exposto a ameaças de morte e agressões físicas e verbais por um criminoso”.

O Imparcial

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